A educação na era da informação

Vivemos uma era digital, onde as transformações acontecem muito rapidamente. Em 2013, durante a faculdade de Pedagogia, esse já era um assunto que me interessava muito. Este é o meu segundo artigo publicado na JOIA – Jornada de Integração Acadêmica naquele ano. Certamente, muita coisa já mudou. A educação na era da informação é assim: em questão de segundos, o conhecimento pode ser disseminado a um número de pessoas antes inimaginável. Segue o artigo:

A EDUCAÇÃO NA ERA DA INFORMAÇÃO
Da formação técnica ao desenvolvimento global dos alunos

Millenials, uma geração altamente conectada

Numa sociedade totalmente informatizada, o conhecimento abre muitas portas. Portas essas cujas fechaduras exigem uma chave. E para obter essa chave é necessário aprender a lidar com a infinidade de informações que o mundo globalizado nos apresenta. Ter acesso à Internet e seus serviços como sites de busca e pesquisa, blogs, MSN, twitter, email, facebook, dentre outros, de nada adianta se os alunos não forem orientados a desenvolver sua criticidade e autonomia durante seu processo de construção do conhecimento. A escola deve oferecer ao aluno não apenas uma educação tecnicista e sim, uma educação integral. O professor precisa fazer brotar o que o aluno tem de melhor frente à evolução da educação e deverá fazê-lo baseado em princípios norteadores como o ‘aprender a conhecer’, o ‘aprender a fazer’, o ‘aprender a viver juntos’ e o ‘aprender a ser’.

Palavras-chave: Informação. Globalização. Educação Integral. Aprender.

INTRODUÇÃO

A humanidade vem assistindo, no decorrer da sua existência, a uma série de revoluções que vem mudando seu modo de atuar e interagir com o mundo. Mais recente e não menos impactante do que a Revolução Industrial é a vez da Revolução da Informação. Com o surgimento e o aperfeiçoamento constante de novas tecnologias, entramos definitivamente na era do conhecimento. Conhecimento de acesso fácil, rápido e não somente por meio de palavras, mas também de imagens e sons de uma infinidade incomparável, transformando de maneira profunda a forma de ensinar e aprender.

Nos dias de hoje, é falida a ideia de que lugar de aprender é no banco da escola.  A internet com seu ciberespaço dispõe de um vasto banco de dados e o conhecimento pode ser acessado em qualquer hora e lugar. E nesse novo contexto, surgem algumas questões a serem debatidas. Qual é o papel da escola nessa nova sociedade informacional? O que significa ser professor nos dias de hoje?  E afinal, o que fundamenta a educação do futuro?

A EDUCAÇÃO NA ERA DA INFORMAÇÃO

O PAPEL DA ESCOLA

Primeiramente, é preciso dizer que já estamos atrasados em relação à educação tecnológica, que deveria começar lá na educação infantil. Mais do que inovar, a escola precisa renovar seus conceitos não só de como ensinar, mas do quê ensinar. Ao invés de oferecer prioritariamente informações tecnicistas, voltadas à competitividade e obtenção de resultados, a escola deve prover uma educação integral.  Somente com uma orientação para a busca de informações que realmente os façam crescerem como homens e que valorizem a cidadania, é que crianças e jovens poderão obter resultados mais positivos. Segundo Gadotti (2000, p. 8) cabe à escola:

“amar o conhecimento como espaço de realização humana, de alegria e de contentamento cultural; selecionar e rever criticamente a informação; formular hipóteses; ser criativa e inventiva (inovar); ser provocadora de mensagens e não pura receptora; produzir, construir e reconstruir o conhecimento elaborado.”

Construir e reconstruir o conhecimento são um processo fundamental para quem precisa acompanhar as transformações dessa nova era, onde o saber virou sinônimo de poder. E o que é o educar, senão mediar esse conhecimento? O professor, curioso e ciente do sentido das coisas, deve fazer brotar algo que já é inerente da formação do próprio sujeito. É preciso utilizar a informação – e as tecnologias que organizam e difundem o conhecimento – como recurso de geração de novos conhecimentos. Essa prática pedagógica deve ser planejada e apropriada para a formação do cidadão, garantindo o acesso e não a exclusão, reunindo as atividades de pesquisa às experiências dos alunos. Cabe ao professor reivindicar a alfabetização digital para todos os níveis de ensino e para todos os espaços educativos, assim como estimular a aplicação das tecnologias de informação e comunicação, de forma reflexiva e em quaisquer áreas do conhecimento. (REIS, 2011).
OS PILARES ORIENTADORES

A Revolução da Informação está transformando a dinâmica de ensino na atualidade. Para acompanhar tais movimentos, a educação da sociedade do conhecimento está fundamentada em quatro pilares orientadores (Gadotti, 2000 apud Delors, 1998). O primeiro deles é o aprender a conhecer e nos diz respeito ao prazer de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento. É preciso aprender a pensar e gerar novas idéias, reinventando o futuro.

Para isso, faz-se necessário aprender a fazer. Não no sentido literal da palavra e sim trabalhar no desenvolvimento das competências pessoais: aprender a comunicar-se, a trabalhar em grupo, a resolver conflitos e ter estabilidade pessoal. O sucesso é garantido quando se aprende a ter flexibilidade para lidar com as mudanças constantes que ocorrem no meio do percurso.

As constatações feitas acima são um convite ao terceiro pilar, o aprender a viver juntos. Os efeitos da globalização e da pós-modernidade, que ao mesmo tempo em que aproximam, acabam criando a individualização das pessoas, tornam necessário à educação a inclusão de projetos onde se trabalhe a cooperação e a compreensão do outro. Essas práticas são evidenciadas quando trabalhados os temas transversais, como ética, saúde ou diversidade cultural, inseridos nos conteúdos programáticos, de forma transdisciplinar.

Rumo ao futuro da educação, somos remetidos ao quarto e último pilar, o aprender a ser. Voltamos ao enfoque do desenvolvimento do ser humano de forma integral, resgatando a totalidade do sujeito, valorizando sua iniciativa e criatividade, sua sensibilidade, seu sentido ético e estético, seu pensamento autônomo e crítico, sua imaginação, não deixando de lado nenhuma de suas particularidades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

São vários os desafios da educação do futuro. Mais do que a transmissão de conhecimentos, a nova educação parte da idéia de que a aprendizagem deve seguir ao longo de toda a vida. O fenômeno da globalização e a emergência da Sociedade em Rede faz com que a educação deva ser repensada de forma que a escola e o professor trabalhem na formação global do sujeito, provendo as condições necessárias para sua formação como ser humano, no sentido ético e de cidadania, incorporando-os à formação antes puramente técnica e científica.

Ao se refletir sobre a educação na era da informação, levantam-se categorias que contribuem para o debate em torno das conseqüências que essa educação possa ter para a sociedade. Cidadania, planetaridade, sustentabilidade, virtualidade, globalização, transdiciplinaridade e dialogicidade.  Trabalhar essas questões de forma a ultrapassar barreiras entre as disciplinas é articular o conhecimento técnico-informacional com o ético-cidadão, de modo que o sujeito possa transformar a realidade em que vive. A constatação desses temas e o reconhecimento de sua importância no dia-a-dia da escola constitui-se numa atividade de reflexão contínua e indispensável a ser desenvolvida não só pela escola e educadores, mas por toda a sociedade preocupada com o futuro da humanidade.


REFERÊNCIAS

REIS, Marilise Luiza Martins dos. Sociologia da Educação: caderno pedagógico / Marilise Luiza Martins dos Reis; design instrucional Ana Cláudia Taú – Florianópolis : UDESC/CEAD, 2011.

GADOTTI, Moacir. Perspectivas Atuais da Educação. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, vol.14, nº 2. abril/junho 2000.

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